sexta-feira, 3 de abril de 2009

Que mistério tem Clarice?



,e ficou sozinho no salão repleto de gavetas com partes da vida dela. A irmã, de cabelos curtos, novos, escarlate, deixava-o para sentir sozinho, com ele mesmo. O salão cheio de pessoas reverberou todo o som por elas produzido. Quase uma gritaria.
No momento, por um momento, suportou. Mas, o incômodo comeu a tolerância e o tomou de todo. Sentiu nervoso de ver e sentir tanta gente. Angústia de ouvir o bater das gavetas, como se todos procurassem desesperadamente por algo. O que seria?
Desistiu.
Saiu tensamente angustiado do salão.
Foi vê-la falar. Migrou, agora, para um estado de calma e quase paz. Ela rígida, com o sotaque, fazia-se - quase - difícil de ser compreendida. Em, sua aparição plana, para ele, uma espécie de epifania. Viu que ela tinha sotaque e admirou-se. O som da voz. A própria voz. Ela inteira: apresentava-se por detrás de uma espessa camada enigmática. Ela. Que mistério tem?
E lendo suas palavras, agora entende, não lê somente um grupamento de letras que formam palavras, que formam frases, que, por fim (?) formam idéias. Não. Lendo suas palavras ele descobre que,
na verdade lê ela mesma. Em forma de uma literatura que dói. Porque é a própria vida. Quase fabulada. Ela, que mistério tem? Todos.
Nenhum.
Ela: o próprio mistério. Ela:
universo.

3 comentários:

  1. Admiro aqueles que tem o dom de ler a vida mais ainda ler a própria vida.
    =)

    ResponderExcluir
  2. De fato, Clarice dói... dói e encanta.

    ResponderExcluir
  3. A irmã ruiva e abandonada sou eu?
    Será q um dia entenderemos os mistérios dela?
    bjo na alma, moço!

    ResponderExcluir